Caros amigos,
Todos sabem que o Brasil é um país democrático, pois temos o direito de escolher as pessoas que irão tomar as decisões e representar o povo na câmara, no senado, etc. Em teoria, democracia “é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos”.
Em teoria é uma maravilha, mas será que as coisas realmente funcionam assim? Na minha humilde opinião, o sistema político que temos no Brasil hoje em dia nada tem a ver com a famosa democracia, vejamos alguns pontos.
Em primeiro lugar, vamos lembrar do episódio escandaloso do “mensalão”. Para quem não se lembra, mensalão era um esquema de “compra de votos” de deputados da base aliada do governo, ou seja, a base governista lançava os projetos (geralmente com fins populistas) e, em troca do voto favorável dos deputados, estes ganhavam um “agrado” do governo, o chamado mensalão, ou seja, vendiam seu voto. Trocando em miúdos, era um esquema de compra de votos nas camadas mais elevadas do poder político brasileiro. Então, me parece bastante contraditório que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faça campanhas e mais campanhas contra a compra de votos, enquanto que um caso muito maior e mais escandalosamente grave acontece debaixo do seu nariz.
Então, chegamos ao ponto. Em teoria, os deputados e senadores são pessoas escolhidas por nós, através da democracia, para nos representar nas decisões políticas que são tomadas diariamente. Eles são escolhidos de forma democrática, mas na hora de votar, o fazem “vendendo” seus votos, graças ao mensalão, buscando, como sempre, engordarem suas próprias contas bancárias. Então que democracia é essa? O voto não deveria ser dado para projetos que realmente beneficiariam o povo de forma geral? Mas neste caso está sendo definido mediante um “pagamento”? Isso não vos parece destoar bastante do princípio da democracia? Para mim parece, e muito... por isso acredito que a democracia no Brasil é de fachada. As pessoas vendem seus votos em troca de dentadura, cesta básica, bolsa família, e os deputados, que são eleitos muitas vezes graças a esta compra de votos, também vendem seus votos para apoiar os projetos governistas. Maravilha de democracia, baseada na compra direta e indireta de votos, desde o eleitor até as pessoas que o representam. Maravilha.
Outro ponto interessante diz respeito ao domínio do poder em nosso país. Se vocês forem parar para pensar, há séculos são os mesmos “Barões” que comandam o Brasil. Olhando apenas para a história mais recente, depois do fim da ditadura militar em 1985, temos uma dúzia de pessoas que se revezam no poder, indo e voltando quando bem entendem. O nosso queridíssimo Presidente do Senado, José Sarney, que é pai de Roseana Sarney, governadora do Maranhão, e do Deputado Federal Sarney Filho, está na política desde 1950. Entre idas e vindas, já foi deputado, senador e governador várias vezes, e chegou à presidência da república depois do falecimento de Tancredo Neves, de quem foi eleito vice nas eleições indiretas de 1985.
Além da “dinastia Sarney”, há vários outros casos de políticos que estão deixando suas “crias” em seus lugares, pois provavelmente se acostumam com o poder e, logicamente, não querem largar “o osso”, pois sabem que cargo público é a melhor profissão do mundo em nosso país. Geralmente os mais velhos usam toda sua influência política para elegerem seus descendentes, fazendo com que a família se mantenha no poder por décadas. E o povo, sabe Deus porque, continua votando e elegendo as crias, esquecendo que um dos principais atrativos da democracia é justamente a alternância do poder.
Para finalizar, se formos analisar friamente, há outro ponto que distancia o sistema político brasileiro da democracia de fato. Se olharmos de forma crítica, nosso sistema político estaria mais para uma espécie de “feudalismo”, vejamos. No feudalismo existiam basicamente 3 classes sociais: O clero, a nobreza e os servos.
· O clero: eram as pessoas ligadas à religião. Muitas vezes sua função era manter o povo “apaziguado”, impedindo revoltas populares com a justificativa de que a Justiça Divina os compensaria com o céu e que todo o sofrimento da vida terrena seria compensado com o paraíso;
· A nobreza (ou senhores feudais): eram os donos de terras, possuíam muito poder político e influência na sociedade, mantinham os servos em regime de semi-escravidão e apenas gozavam das maravilhas do mundo, graças ao suor dos pobres diabos que trabalhavam para os sustentar;
· Os servos: eram as pessoas que viviam nos feudos, trabalhando com agropecuária e gerando riqueza para seus senhores. Além de trabalharem para sustentar a nobreza, ainda tinham que pagar pesados tributos para poderem utilizar a terra (além de serem praticamente escravizados ainda tinham que pagar para usar a terra) e também pela proteção militar.
Então senhores, tirem suas próprias conclusões. Em minha opinião, estamos vivendo num sistema que mais tem a ver com alguma espécie de feudalismo do que na (em nosso caso) utópica democracia. Há o clero que pouco influencia, pois as igrejas de hoje em dia (não me critiquem, é apenas minha opinião) parecem muito mais preocupadas em arrumar formas de arrancar dinheiro dos fiéis, ao invés de lutar e se manifestar em prol da justiça social. A nobreza seria composta pelos nossos políticos, que vivem às custas do trabalho do povo, se preocupam apenas com seu bem estar, exploram a classe trabalhadora até não poderem mais (trabalhamos cerca de 150 dias por ano apenas para pagar impostos) e gozam de todos os prazeres da vida (viagens, jantares, vinhos, cartões corporativos, etc) graças à nós. E por fim os “servos”, que somos todos nós, que trabalhamos quase meio ano para sustentar esse bando de vagabundos, não temos acesso à uma saúde pública decente, nem à segurança, nem estradas temos para rodar, apesar de tantos impostos que pagamos.
Mas, o Brasil é pentacampeão mundial de futebol, temos o bolsa família, teremos copa no Brasil em 2014 e olimpíada em 2016, nosso PIB cresceu 7,5% em 2010, nosso time vai ser campeão brasileiro esse ano, nosso ex presidente é “o cara”... para que se preocupar com nossos políticos que deitam e rolam? Para que? Não adianta nada, não é?
Aí, como de praxe, pergunto à vocês: de quem é a culpa por todas essas barbaridades que acontecem no nosso país??? A resposta vocês já sabem, A CULPA É NOSSA!!!!
Aldo Lobo