Caros amigos,
Depois de alguns dias sem manifestações aqui no blog, resolvi escrever algo sobre o investimento do Brasil em infra-estrutura. Fiquei uns dias ausente porque, como filho de Deus que sou, tirei alguns dias de férias que haviam restado e fiz uma viagem à Argentina, para visitar a região vinícola do país, a província de Mendoza. Poderia escrever várias linhas sobre a viagem, mas, apesar deste assunto me interessar imensamente, o ponto principal e o propósito deste blog não é falar sobre vinhos.
Como minha esposa e eu tínhamos 15 dias de folga, e levando em conta também a questão financeira, já que sairia mais barato, resolvemos fazer a viagem de carro, pois assim teríamos mais liberdade para pararmos onde quiséssemos e poderíamos passar alguns dias sem compromisso nenhum, apenas dirigindo, sem precisar se preocupar com aeroporto, check-in, filas, etc. Além disso, de avião teríamos a limitação das cotas de bagagem, e por isso não poderíamos trazer um estoque muito grande de vinhos (hehehe).
Bom, vamos ao que interessa. Rodamos cerca de 6 mil km ida e volta, sendo que boa parte destes, 4,5 mil km, em território argentino. E uma coisa que nos impressionou muitíssimo foi a quantidade de obras de infra-estrutura que estão sendo feitas no país vizinho. Atravessamos as províncias de Santa Fé, Córdoba e Mendoza, sendo que as duas primeiras são, junto com Buenos Aires, as 3 principais regiões produtoras de grãos da Argentina. E provavelmente por este fato, o governo argentino está investindo pesado (mas pesado MESMO) em infra-estrutura. A rodovia “RA 9”, que liga Buenos Aires à Santa Fé, é toda duplicada, e “RA 127”, que vai da divisa com o Brasil (Uruguaiana) até Santa Fé, está toda em obras, em ritmo acelerado, e em breve também terá 2 pistas. Além disso, a “RA 19”, que liga Santa Fé à Córdoba, também está em obras, e a “RA 158”, que liga San Francisco à Rio Cuarto, depois as “RAs 8 e 7”, que vai até Vila Mercedes e San Luis, estão todas sendo duplicadas. De Vila Mercedes até Mendoza a rodovia já é duplicada. Além disso, nota-se que diversas ferrovias do país estão em funcionamento, sem contar as hidrovias, que facilitam o escoamento da produção agrícola para os portos, incluindo o de Up River, que fica em Rosário (cerca de 300 km de Buenos Aires) e é um dos principais portos do país.
Outro fator que me chamou muito a atenção. Como dito, rodamos cerca de 4,5 mil km dentro da Argentina, e a grande maioria das estradas pelas quais trafegamos eram pedagiadas... e sabem quanto gastamos de pedágio para rodar estes 4,5 mil km?? O equivalente a R$ 19,50. Isto mesmo minha gente, não é piada, 4,5 mil km e R$ 19,50 gastos com pedágios. Apenas para comparação, resolvemos voltar por Foz do Iguaçu, e no trecho de 650 km que liga esta cidade à Curitiba, adivinhem quanto gastamos de pedágio? Cerca de R$ 70,00. Ah, diga-se de passagem, a pista é simples em 85% do trecho (é duplicada apenas entre Foz do Iguaçu e Santa Terezinha do Iguaçu). Além de pagarmos um absurdo de pedágio num trecho de 650 km, em pista simples, não vi nenhuma obra para duplicação de uma das principais rodovias usadas no escoamento da produção agrícola do estado, já que a região oeste é uma das grandes regiões produtoras de soja, milho e trigo do PR.
O que me deixou com uma pontinha, ou melhor, uma “PONTONA” de inveja foi o seguinte, a Argentina passou por uma crise econômica gravíssima cerca de 10 anos atrás, e apesar disso, o governo continua investindo em infra-estrutura para facilitar o escoamento da produção agrícola do país, barateando custos e incentivando os produtores a plantarem cada vez mais. Além disso, as estradas, mesmo as não pedagiadas, são excelentes, sem buracos e bem sinalizadas. As que têm pedágios então nem se fala. Enquanto isso, no Brasil, as estradas sem pedágio são horríveis, as que possuem pedágios baratos (como a BR 116, que liga Curitiba à São Paulo) deixam muitíssimo a desejar, e as que são boas possuem pedágios absurdamente caros.
É por isso que nossos produtores agrícolas possuem margens apertadas de lucros e volta e meia ficam no prejuízo. É por isso que regiões que possuem bom potencial agrícola não são desenvolvidas porque não são economicamente viáveis. Constantemente vemos notícias de que a venda de veículos foi recorde no Brasil, e, pelo menos aqui no Sul do país, não vemos nenhuma obra de duplicação, nenhuma nova estrada sendo aberta.
Confesso à vocês que fiquei com muita inveja dos nossos “hermanos”, pois mesmo tendo saído do fundo do poço recentemente, o país inteiro está em obras, e obras úteis, infra-estrutura que irá facilitar a vida de toda a população. Enquanto o Brasil se preocupa em fazer estádios monumentais para receber a copa do mundo e gasta milhões para dar ao povo o famoso “pão e circo”, o nosso vizinho se preocupa em investir em coisas muitíssimo mais úteis, que trarão benefícios verdadeiros à população, e não apenas uma alegria passageira que irá durar 1 mês no máximo. Por isso o nome deste tópico, “Tão Perto, Tão Longe”, pois estamos tão perto da Argentina, mas estamos tão longe no que se refere aos investimentos PRODUTIVOS para o país e que trarão benefícios à população.
E para terminar, faço a boa e velha pergunta de sempre: De quem é a culpa? A CULPA É NOSSA!! A culpa é nossa por sermos tão pequenos, por exigirmos tão pouco de nossos governantes, por sermos tão pacatos a ponto de pagarmos impostos absurdos e ainda termos que pagar pedágios mais absurdos ainda para podermos rodar por nossas estradas. A culpa é nossa por aceitarmos o “pão e circo” oferecido pelo nosso governo, ao invés de querermos coisas mais úteis que realmente trarão benefícios à toda a população. A culpa é nossa por sermos tão trouxas por ficarmos esperando com ansiedade pela copa de 2014, ao invés de exigirmos duplicações das nossas estradas, aumento da capacidade dos nossos aeroportos, dos nossos hospitais, criação ou reativação das nossas ferrovias para facilitar o escoamento da produção agrícola e industrial, baratear custos e incentivar a produção, que é o que realmente move este país. Mas que nada, o importante é ter “mais uma estrela” bordada na nossa camisa, para provarmos que somos melhores do que os argentinos... e enquanto isso, eles seguem galopando rumo ao desenvolvimento econômico sustentável, e se continuar assim, logo logo perderemos o posto de 2º maior produtor de soja do mundo, pois enquanto investimos em bobagens, eles investem em estrutura produtiva. E se mantivermos nosso ponto de vista mesquinho e ignorante, continuaremos eternamente sendo um país “em desenvolvimento”, enquanto que as nações vizinhas já serão países desenvolvidos muito antes do que pensamos.
Grande abraço à todos.
Aldo Lobo
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