quinta-feira, 28 de abril de 2011

TÃO PERTO, TÃO LONGE


            Caros amigos,

            Depois de alguns dias sem manifestações aqui no blog, resolvi escrever algo sobre o investimento do Brasil em infra-estrutura. Fiquei uns dias ausente porque, como filho de Deus que sou, tirei alguns dias de férias que haviam restado e fiz uma viagem à Argentina, para visitar a região vinícola do país, a província de Mendoza. Poderia escrever várias linhas sobre a viagem, mas, apesar deste assunto me interessar imensamente, o ponto principal e o propósito deste blog não é falar sobre vinhos.
             Como minha esposa e eu tínhamos 15 dias de folga, e levando em conta também a questão financeira, já que sairia mais barato, resolvemos fazer a viagem de carro, pois assim teríamos mais liberdade para pararmos onde quiséssemos e poderíamos passar alguns dias sem compromisso nenhum, apenas dirigindo, sem precisar se preocupar com aeroporto, check-in, filas, etc. Além disso, de avião teríamos a limitação das cotas de bagagem, e por isso não poderíamos trazer um estoque muito grande de vinhos (hehehe).
            Bom, vamos ao que interessa. Rodamos cerca de 6 mil km ida e volta, sendo que boa parte destes, 4,5 mil km, em território argentino. E uma coisa que nos impressionou muitíssimo foi a quantidade de obras de infra-estrutura que estão sendo feitas no país vizinho. Atravessamos as províncias de Santa Fé, Córdoba e Mendoza, sendo que as duas primeiras são, junto com Buenos Aires, as 3 principais regiões produtoras de grãos da Argentina. E provavelmente por este fato, o governo argentino está investindo pesado (mas pesado MESMO) em infra-estrutura. A rodovia “RA 9”, que liga Buenos Aires à Santa Fé, é toda duplicada, e “RA 127”, que vai da divisa com o Brasil (Uruguaiana) até Santa Fé, está toda em obras, em ritmo acelerado, e em breve também terá 2 pistas. Além disso, a “RA 19”, que liga Santa Fé à Córdoba, também está em obras, e a “RA 158”, que liga San Francisco à Rio Cuarto, depois as “RAs 8 e 7”, que vai até Vila Mercedes e San Luis, estão todas sendo duplicadas. De Vila Mercedes até Mendoza a rodovia já é duplicada. Além disso, nota-se que diversas ferrovias do país estão em funcionamento, sem contar as hidrovias, que facilitam o escoamento da produção agrícola para os portos, incluindo o de Up River, que fica em Rosário (cerca de 300 km de Buenos Aires) e é um dos principais portos do país.
Outro fator que me chamou muito a atenção. Como dito, rodamos cerca de 4,5 mil km dentro da Argentina, e a grande maioria das estradas pelas quais trafegamos eram pedagiadas... e sabem quanto gastamos de pedágio para rodar estes 4,5 mil km?? O equivalente a R$ 19,50. Isto mesmo minha gente, não é piada, 4,5 mil km e R$ 19,50 gastos com pedágios. Apenas para comparação, resolvemos voltar por Foz do Iguaçu, e no trecho de 650 km que liga esta cidade à Curitiba, adivinhem quanto gastamos de pedágio? Cerca de R$ 70,00. Ah, diga-se de passagem, a pista é simples em 85% do trecho (é duplicada apenas entre Foz do Iguaçu e Santa Terezinha do Iguaçu). Além de pagarmos um absurdo de pedágio num trecho de 650 km, em pista simples, não vi nenhuma obra para duplicação de uma das principais rodovias usadas no escoamento da produção agrícola do estado, já que a região oeste é uma das grandes regiões produtoras de soja, milho e trigo do PR.
            O que me deixou com uma pontinha, ou melhor, uma “PONTONA” de inveja foi o seguinte, a Argentina passou por uma crise econômica gravíssima cerca de 10 anos atrás, e apesar disso, o governo continua investindo em infra-estrutura para facilitar o escoamento da produção agrícola do país, barateando custos e incentivando os produtores a plantarem cada vez mais. Além disso, as estradas, mesmo as não pedagiadas, são excelentes, sem buracos e bem sinalizadas. As que têm pedágios então nem se fala. Enquanto isso, no Brasil, as estradas sem pedágio são horríveis, as que possuem pedágios baratos (como a BR 116, que liga Curitiba à São Paulo) deixam muitíssimo a desejar, e as que são boas possuem pedágios absurdamente caros.
            É por isso que nossos produtores agrícolas possuem margens apertadas de lucros e volta e meia ficam no prejuízo. É por isso que regiões que possuem bom potencial agrícola não são desenvolvidas porque não são economicamente viáveis. Constantemente vemos notícias de que a venda de veículos foi recorde no Brasil, e, pelo menos aqui no Sul do país, não vemos nenhuma obra de duplicação, nenhuma nova estrada sendo aberta.
            Confesso à vocês que fiquei com muita inveja dos nossos “hermanos”, pois mesmo tendo saído do fundo do poço recentemente, o país inteiro está em obras, e obras úteis, infra-estrutura que irá facilitar a vida de toda a população. Enquanto o Brasil se preocupa em fazer estádios monumentais para receber a copa do mundo e gasta milhões para dar ao povo o famoso “pão e circo”, o nosso vizinho se preocupa em investir em coisas muitíssimo mais úteis, que trarão benefícios verdadeiros à população, e não apenas uma alegria passageira que irá durar 1 mês no máximo. Por isso o nome deste tópico, “Tão Perto, Tão Longe”, pois estamos tão perto da Argentina, mas estamos tão longe no que se refere aos investimentos PRODUTIVOS para o país e que trarão benefícios à população.
            E para terminar, faço a boa e velha pergunta de sempre: De quem é a culpa? A CULPA É NOSSA!! A culpa é nossa por sermos tão pequenos, por exigirmos tão pouco de nossos governantes, por sermos tão pacatos a ponto de pagarmos impostos absurdos e ainda termos que pagar pedágios mais absurdos ainda para podermos rodar por nossas estradas. A culpa é nossa por aceitarmos o “pão e circo” oferecido pelo nosso governo, ao invés de querermos coisas mais úteis que realmente trarão benefícios à toda a população. A culpa é nossa por sermos tão trouxas por ficarmos esperando com ansiedade pela copa de 2014, ao invés de exigirmos duplicações das nossas estradas, aumento da capacidade dos nossos aeroportos, dos nossos hospitais, criação ou reativação das nossas ferrovias para facilitar o escoamento da produção agrícola e industrial, baratear custos e incentivar a produção, que é o que realmente move este país. Mas que nada, o importante é ter “mais uma estrela” bordada na nossa camisa, para provarmos que somos melhores do que os argentinos... e enquanto isso, eles seguem galopando rumo ao desenvolvimento econômico sustentável, e se continuar assim, logo logo perderemos o posto de 2º maior produtor de soja do mundo, pois enquanto investimos em bobagens, eles investem em estrutura produtiva. E se mantivermos nosso ponto de vista mesquinho e ignorante, continuaremos eternamente sendo um país “em desenvolvimento”, enquanto que as nações vizinhas já serão países desenvolvidos muito antes do que pensamos.

            Grande abraço à todos.

            Aldo Lobo

segunda-feira, 4 de abril de 2011

DEMOCRACIA???


            Caros amigos,

            Todos sabem que o Brasil é um país democrático, pois temos o direito de escolher as pessoas que irão tomar as decisões e representar o povo na câmara, no senado, etc. Em teoria, democracia “é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos”.
Em teoria é uma maravilha, mas será que as coisas realmente funcionam assim? Na minha humilde opinião, o sistema político que temos no Brasil hoje em dia nada tem a ver com a famosa democracia, vejamos alguns pontos.
Em primeiro lugar, vamos lembrar do episódio escandaloso do “mensalão”. Para quem não se lembra, mensalão era um esquema de “compra de votos” de deputados da base aliada do governo, ou seja, a base governista lançava os projetos (geralmente com fins populistas) e, em troca do voto favorável dos deputados, estes ganhavam um “agrado” do governo, o chamado mensalão, ou seja, vendiam seu voto. Trocando em miúdos, era um esquema de compra de votos nas camadas mais elevadas do poder político brasileiro. Então, me parece bastante contraditório que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faça campanhas e mais campanhas contra a compra de votos, enquanto que um caso muito maior e mais escandalosamente grave acontece debaixo do seu nariz.
Então, chegamos ao ponto. Em teoria, os deputados e senadores são pessoas escolhidas por nós, através da democracia, para nos representar nas decisões políticas que são tomadas diariamente. Eles são escolhidos de forma democrática, mas na hora de votar, o fazem “vendendo” seus votos, graças ao mensalão, buscando, como sempre, engordarem suas próprias contas bancárias. Então que democracia é essa? O voto não deveria ser dado para projetos que realmente beneficiariam o povo de forma geral? Mas neste caso está sendo definido mediante um “pagamento”? Isso não vos parece destoar bastante do princípio da democracia? Para mim parece, e muito... por isso acredito que a democracia no Brasil é de fachada. As pessoas vendem seus votos em troca de dentadura, cesta básica, bolsa família, e os deputados, que são eleitos muitas vezes graças a esta compra de votos, também vendem seus votos para apoiar os projetos governistas. Maravilha de democracia, baseada na compra direta e indireta de votos, desde o eleitor até as pessoas que o representam. Maravilha.
Outro ponto interessante diz respeito ao domínio do poder em nosso país. Se vocês forem parar para pensar, há séculos são os mesmos “Barões” que comandam o Brasil. Olhando apenas para a história mais recente, depois do fim da ditadura militar em 1985, temos uma dúzia de pessoas que se revezam no poder, indo e voltando quando bem entendem. O nosso queridíssimo Presidente do Senado, José Sarney, que é pai de Roseana Sarney, governadora do Maranhão, e do Deputado Federal Sarney Filho, está na política desde 1950. Entre idas e vindas, já foi deputado, senador e governador várias vezes, e chegou à presidência da república depois do falecimento de Tancredo Neves, de quem foi eleito vice nas eleições indiretas de 1985.
Além da “dinastia Sarney”, há vários outros casos de políticos que estão deixando suas “crias” em seus lugares, pois provavelmente se acostumam com o poder e, logicamente, não querem largar “o osso”, pois sabem que cargo público é a melhor profissão do mundo em nosso país. Geralmente os mais velhos usam toda sua influência política para elegerem seus descendentes, fazendo com que a família se mantenha no poder por décadas. E o povo, sabe Deus porque, continua votando e elegendo as crias, esquecendo que um dos principais atrativos da democracia é justamente a alternância do poder.
Para finalizar, se formos analisar friamente, há outro ponto que distancia o sistema político brasileiro da democracia de fato. Se olharmos de forma crítica, nosso sistema político estaria mais para uma espécie de “feudalismo”, vejamos. No feudalismo existiam basicamente 3 classes sociais: O clero, a nobreza e os servos.

·        O clero: eram as pessoas ligadas à religião. Muitas vezes sua função era manter o povo “apaziguado”, impedindo revoltas populares com a justificativa de que a Justiça Divina os compensaria com o céu e que todo o sofrimento da vida terrena seria compensado com o paraíso;
·        A nobreza (ou senhores feudais): eram os donos de terras, possuíam muito poder político e influência na sociedade, mantinham os servos em regime de semi-escravidão e apenas gozavam das maravilhas do mundo, graças ao suor dos pobres diabos que trabalhavam para os sustentar;
·        Os servos: eram as pessoas que viviam nos feudos, trabalhando com agropecuária e gerando riqueza para seus senhores. Além de trabalharem para sustentar a nobreza, ainda tinham que pagar pesados tributos para poderem utilizar a terra (além de serem praticamente escravizados ainda tinham que pagar para usar a terra) e também pela proteção militar.

Então senhores, tirem suas próprias conclusões. Em minha opinião, estamos vivendo num sistema que mais tem a ver com alguma espécie de feudalismo do que na (em nosso caso) utópica democracia. Há o clero que pouco influencia, pois as igrejas de hoje em dia (não me critiquem, é apenas minha opinião) parecem muito mais preocupadas em arrumar formas de arrancar dinheiro dos fiéis, ao invés de lutar e se manifestar em prol da justiça social. A nobreza seria composta pelos nossos políticos, que vivem às custas do trabalho do povo, se preocupam apenas com seu bem estar, exploram a classe trabalhadora até não poderem mais (trabalhamos cerca de 150 dias por ano apenas para pagar impostos) e gozam de todos os prazeres da vida (viagens, jantares, vinhos, cartões corporativos, etc) graças à nós. E por fim os “servos”, que somos todos nós, que trabalhamos quase meio ano para sustentar esse bando de vagabundos, não temos acesso à uma saúde pública decente, nem à segurança, nem estradas temos para rodar, apesar de tantos impostos que pagamos.
 Mas, o Brasil é pentacampeão mundial de futebol, temos o bolsa família, teremos copa no Brasil em 2014 e olimpíada em 2016, nosso PIB cresceu 7,5% em 2010, nosso time vai ser campeão brasileiro esse ano, nosso ex presidente é “o cara”... para que se preocupar com nossos políticos que deitam e rolam? Para que? Não adianta nada, não é?
Aí, como de praxe, pergunto à vocês: de quem é a culpa por todas essas barbaridades que acontecem no nosso país??? A resposta vocês já sabem, A CULPA É NOSSA!!!!

Aldo Lobo

Projeto proíbe pagamento de aposentadoria a parlamentar cassado

(é minha gente, até que enfim uma boa notícia... tomara que a medida seja aprovada)

O senador ou deputado federal que for cassado ou renunciar ao mandato para fugir da cassação poderá perder também o direito a receber aposentadoria pelo Plano de Seguridade Social dos Congressistas. Proposto pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), o projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e deve ser votado na próxima quarta-feira (6), em caráter terminativo, na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Para Simon, o pagamento de aposentadoria pelo Congresso a parlamentares cassados ou que renunciaram ao mandato para fugir da cassação é algo "inadmissível". De acordo com a legislação, o Plano de Seguridade Social dos Congressistas prevê os mesmos benefícios dados aos servidores federais, como aposentadoria no valor integral do salário, proporcional ao tempo de contribuição.

"A presente proposição visa a incluir a condição sine qua non [condição fundamental] de uma postura mínima condizente com a ética e o decoro parlamentar, para que este e, consequentemente, seus legatários possam fazer jus aos benefícios concedidos", afirmou Simon na justificativa da proposta.

"É impensável, ilegítimo e inadmissível que um parlamentar que tenha tido seu mandato cassado ou que tenha renunciado por estar sujeito à cassação possa usufruir de um substancioso subsídio, sendo que não houve a recíproca do comportamento de respeito à coisa pública e à vontade de seus representados", reforçou o senador gaúcho.

De acordo com o parecer aprovado pela CCJ, será negada a aposentadoria ao parlamentar que, estando submetido a processo que vise ou que possa levar à perda do mandato por ato ou omissão envolvendo recursos públicos, apresente renúncia. Ainda será cassada a aposentadoria concedida pelo Instituto de Previdência dos Congressistas ao ex-parlamentar que venha a ser condenado definitivamente por ato ou omissão lesivos aos cofres públicos cometidos durante o mandato.

Apesar de perder o direito a receber aposentadoria pelo Plano de Seguridade Social dos Congressistas, o parlamentar poderá usar o período que esteve como deputado ou senador na contagem do tempo de contribuição do Regime Geral de Previdência Social (INSS).

Se aprovada na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, a proposta seguirá para a análise dos deputados.

Fonte: Agência Brasil, em Uol Política.